sábado, 27 de fevereiro de 2010

O caminho


Vou andando. Percorro o caminho passando várias ruas, casas e pessoas. Chego a um banco e resolvo parar. Sento-me, penso. Olho o relógio e apercebo-me que tenho de continuar. Passaram 15 minutos e eu pergunto-me se já chegaste, se já me esperas.
Finalmente já o vejo, ele está ali, tenho de o passar mas estou nervosa, ansiosa e (talvez) medrosa. Será que depois de o atravessar vais estar lá para me receber, para me dar a mão e mais uma vez dizer que está tudo bem? Não sei, tenho medo que a resposta não seja a que desejo.
O túnel é grande e escuro. Sinto-me impotente. Não consigo continuar, as dúvidas apoderam-se de mim e resolvo ficar a meio caminho. Talvez me venhas buscar. Não demores, não me quero atrasar mais. Também não quero ter de recuar...
Isto só faz sentido se tu vieres também. Adormeci. Acordei com um aroma familiar e um toque inconfundível. Eras tu. Afinal sempre me vieste procurar. E agora? Pergunto-me o porque da tua demora. Abraças-me. Percebo que está tudo bem, damos a mão e seguimos caminho.
Agora que olho para trás o túnel já não me parece tão grande. Afinal o que me custou e roubou tempo foi a tua demora. Apercebi-me então que dói mais esperar em vão do que ouvir um não.

1 comentário:

  1. há situações que nos servem realmente de inspiração. e a fabulosa visão de transformar uma situação num bom texto está exactamente na importância que essa situação teve para nós. foi dái que te saiu este texto.

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