
Era tarde quando saíste. Eu permaneci tal e qual, deitada, imóvel e envolta em arrependimento. Na minha cabeça só ecoavam as tuas ultimas palavras. Dá-me um motivo para ficar. Eu, eu não me mexi, não falei e tão pouco me lembro se respirei. Tu saíste. De facto, eu até achava que no teu verbo amar não existia outra "ela", mas tu, tu tinhas a certeza que não existia um "nós". Agarrei-me á almofada da mesma forma que te agarrava quando queria carinho. Foi óptima a amparar-me as lágrimas. Eu não conseguia dormir. Tinha a cabeça a mil, só pensava no nosso, agora, passado. Não sentia o coração, o meu peito doía-me e a minha boca estava amarga e pronta para gritar. Não o fiz. Viajei pelos momentos vividos a teu lado, quis voltar ao nosso quinto encontro. Se pudesse, fazia-o sem qualquer dúvida, parava-o no tempo e ficava contigo da mesma forma, fazia com que fosse eterno, que fossemos os dois. Levantei-me, olhei uma fotografia tua comigo, e pela tua expressão conclui. O pior não foi teres ido e não me teres procurado mais, o pior, era quando eu estava contigo e tu nem me vias.
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